O Medo

Temos alturas na nossa vida em que paramos para pensar, olhamos ao nosso redor e damos conta o quão estamos sós, não falo de solidão física, falo de estarmos emocionalmente, podemos ter 1001 amigos mas, continuamos a sentirmo-nos sozinhos, podemos estar numa festa, num bar, numa discoteca, mas nem a nossa música preferida nos faz companhia, chega uma altura da noite em que nos cansamos de segurar os copos e as garrafas e que facilmente poderíamos pela mão de alguém.
Há alturas em que vimos sorrisos na rua, pessoas bonitas nas redes sociais, pessoas em nosso redor que são sempre queridas connosco, sempre atenciosas e sempre ajudar, choram e riem connosco, e sempre estão lá.
Podemos ter fases em que rimos que nem uns perdidos, fazemos piadas como não se houvesse amanhã, achamos graça a tudo e todos se riem connosco, todos alinham nas brincadeiras, todos se divertem connosco.
Temos momentos na vida em que o dia nos corre mal, mas mesmo assim, colocamos um sorriso na cara, e está tudo ótimo.
Temos alturas em que colocamos os fones nos ouvidos, e saímos de nós mesmos, mil e um pensamentos passam pela nossa cabeça ao tom da música que ouvimos, damos por nós mergulhados num turbilhão de vivências, cicatrizes, medos, fantasmas, onde os "e se..." vêm ao de cima, o desejo de mudar um ponto, uma vírgula no passado é o prato principal.
Pensamos no que correu mal, o que é que fizemos de errado, onde é quando erramos e porquê...
Daí começamos a criar medos, inúmeros medos, medo de errar novamente, medo das réplicas dos falhanços do passado, criamos defesas, acabamos por nos envolver numa concha que além de nos proteger de uma forma egoísta, acaba por afastar quem nós gostamos e quem gosta de nós.
Acabamos então sozinhos, não amistosa e socialmente, não no seio familiar, mas sozinhos emocionalmente, pelo medo de gostar de alguém, pelo medo de dizer que gostamos de alguém, medo de demostrar que gostamos desse alguém, medo da resposta a essa afirmação, medo da reação da pessoa, medo do que será dali para a frente.
Esse medo só por si não existe, esse medo não nasce sozinho, esse medo não tem vida própria, esse medo não é independente, ele está agarrado às nossas cicatrizes, às nossas vivências e memórias, e elas são o alimento desse medo, e nós mesmos acabamos por ser consumidos também, resultando numa inércia, uma paralisa, um impasse que nos impede de exprimir aquilo que sentimos, aquilo que pensamos, limita-nos de fazer aquilo que a emoção grita e a razão tenta calar.
Quanto mais pensamos, mais medos criamos, e nada fazemos, mais mecanismos de defesa criamos, mais pessoas afastamos, mais dúvidas na cabeça criamos a nenhuma conclusão chegamos.
É necessário parar para pensar e criar métodos/estratégias para vencer os medos, é fulcral ganhar coragem, calar a razão, agir com o que a emoção grita, e se mesmo assim tivermos medo, então que o levemos de rastos, o medo e a coragem podem andar lado a lado, porque de facto, não há coragem sem medo, e vice-versa, é como a luz e a escuridão, são antagônicas, mas no entanto completam-se.
Não há mal em ter medo, é preciso vence-lo!

André Lopes

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