Depois da batalha, depois dos tumultos, depois de a poeira ter assentado, os resultados saltam á vista, um rasto de sangue e morte preenche-me o corpo, eu estou imóvel, as feridas estão inculcadas pelo corpo todo, o sangue esvai-se das minhas veias como água que escorre de um tubo rebentado, eu já não permaneço mais no corpo físico, sinto-me leve, sinto-me como se estivesse a voar, de certa forma vejo o meu corpo no chão e percebo que já não possuo mais aquele cadáver, ele ali jaze, imóvel e petrificado, eu olho em volta e o sol, as ervas, o azul do céu, as árvores, e tudo aquilo que me rodeia já não possuem cor, de facto já nada possui cor, todos os elementos que me cercam estão tingidos num tom acinzentado, e que cada vez escurece mais e mais, como se fosse o anoitecer mais num ritmo mais apressado, como se a luz estivesse a abranger outro sitio que não aquele.
Eu não sei onde estou nem nunca vi aquele sítio daquela forma, a luz e a cor já não incumbem ali, a escuridão e o frio preenchem o local e remodelam o ambiente, agora estou num corredor, um infinito corredor, escuro e onde paira no ar uma corrente de ar mórbida e vagarosa, sinto algo que me toca nas costas, como se estivesse a empurrar-me ou a querer que eu siga em frente, eu, sem contestar caminho, de vez em quando olho para trás e lá bem no fundo vejo o campo onde o meu corpo descansa quieto e silencioso, lá na frente espera-me uma luz, mas ainda tenho muito a caminhar, o corredor é imenso, e eu perco-me nesta ala sombria e solitária, eu caminho em direcção a ela, mas há uma voz, uma voz que grita por detrás de mim “pára, não vás”, curioso, olho para trás e vejo algo luminoso que corre para mim e que me toca e me atira ao chão.
Levanto-me e estou outra vez no local onde caí, as ervas retomaram o seu verde e a sua frescura, sinto o vento e os raios de sol baterem-me na cara, as árvores e o céu retomaram o seu verde e azul respectivamente, eu, levanto-me e, vejo o meu corpo arrasado, dormente, e fraquejando contínuo o caminho, como um lutador e sobrevivente, porque mesmo que caminhemos para a morte e para a destruição, há sempre algo (alguém) que nos salva…
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