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Receio

Sou o ego frágil e sensível, sou a alma que morre de noite e renasce de dia, sou a alma que ama, mas que não é amada de volta, sou o ego que se esconde e que receia o amor. Tenho medo, sim morro de medo, por vezes pergunto-me onde está o erro ou o que é que está errado naquilo que faço ou no que se passa ao meu redor, são perguntas para as quais procuro uma resposta.
Não consigo dizer “amo-te”, muito menos de me declarar, tenho medo, receio a rejeição, receio a mudança para comigo, tenho medo de perder aquilo que ainda me une á pessoa, não quero perder a amizade.
Vivo num espaço que ocupo um lugar pequeno, onde me faço de forte e rijo, mas na verdade eu tento sempre não parecer frágil mas quando o sonho morre, a força de viver morre com ele. Falece o sonho de ter a pessoa que amo, morro eu, morre a esperança, morre-me a alma, morre o mundo, morre a cor, morre a temperatura…
Nada, mas mesmo nada pode curar um coração partido, muito menos uma alma partida, uma alma podre, podre de desilusões e sonhos partidos. O esquecimento atenua a dor, mas não regenera os pedaços resultantes da destruição, o tempo não cura as feridas, apenas ensina a viver com as feridas, as pessoas próximas (amigos/amigas) podem ajudar a esquecer, distraem-nos, divertem-nos e animam-nos, mas não sabem o quanto custa levantar depois da queda…
Custa, não digo o contrário, porque toda a gente conhece essa dor, essa sensação, essa “ventoinha” que rói, que nos despedaça por dentro, pode custar muito, mas faz parte do processo, faz parte do esquecimento, faz parte do regenerar, faz parte do “levantar do chão”.
Não existe tristeza sem felicidade, e vice-versa, uma complementa a outra, não sobrevivem uma sem a outra, tal como não pode haver luz sem escuridão, também não pode haver tristeza sem felicidade, o mesmo se passa com as pessoas boas e más, não existem as boas sem as más, para haver um pólo negativo tem de haver necessariamente outro pólo oposto, um pólo positivo… só assim se pode proceder á comparação e identificação.
É a passar pelo pólo negativo que se reconhece ao outro, o positivo, a força de vontade e a crença devem estar sempre na base desse caminho, apesar de as dores dificultarem o percurso, não se pode desistir.

Mas a verdade, o que custa mais é o começo…e o caminho? Bem isso já é outra história.
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Fugindo

Fugindo ao Amor...
Será que sou um ser hediondo no que diz respeito a sentimentos? Pelo simples facto de não ser capaz de admitir que amo, que quero amar e ser amado, que quero ser feliz e partilhar a minha felicidade??
Pois não sei bem ao certo…

Fujo do amor como quem foge à própria morte! Mas assim sou eu, um ser com inúmeros medos, como por exemplo ficar só, amar, medo de ser desejado e desejar, mas o único medo que inúmeras pessoas possuem e que a mim é me indiferente é a morte. A maioria das pessoas vê a morte como o final, como o terror da vida, a passagem de momentos gloriosos e memoráveis para um final monótono e enfadonho, no meu caso é o contrario. Antes prefiro descansar do que andar assim, com medo do que a vida me reserva, esperando que o dia seguinte seja pior ou melhor do que este, em que supostamente deveria estar a viver e não a sobreviver.
Nestes dias em que o tempo é muito e a ocupação pouca, tenho estado a pensar no meu percurso amoroso e todo o seu histórico de vida. Não é que eu possua um histórico amoroso longo, bem pelo contrário, até porque deveria rever o nome, não deveria ser histórico amoroso, mas sim, suposto histórico. Pois para ser sincero nunca tive um AMOR, como é descrito pela própria palavra. Apenas já senti atracção, já senti amizades bastantes especiais, já confundi sentimentos, já errei… Mas dos meus erros, o maior deles todos é fugir ao próprio amor, tentar libertar-me de um suposto amor, fugir de atracções físicas e intelectuais fugir de tudo pelo qual me possa vir a apaixonar.
Já menti a tanta gente devido a este mesmo medo.. Já disse que só gostava de pessoas mais velhas, já disse que gostava apenas de pessoas mais novas, já fingi ter alguém, já disse ser homossexual, já disse ser heterossexual, já inventei que apenas estava de passagem, já inventei mil e uma desculpas para afastar quem me amava.
Nunca percebi bem o porque de eu não conseguir dizer eu amo-te, onde estará a dificuldade de eu dizer estas mesmas palavras, será que tenho medo do grau de intensidade ou a falta do mesmo para quem esta a ouvir.
Será porque sou uma pessoa de sentimentos e não digo esta mesma palavra apenas por divertimento ou porque sei que quem está comigo deseja a ouvir e eu digo apenas por dizer..
Estas questões e dilemas fazem-me afastar as pessoas de tal maneira que fico assim, sem reacção, preocupado como o que a pessoa deverá estar a sentir neste mesmo momento, em que a dor da rejeição é tão forte como o próprio aço, que arde dentro de si como uma brasa em chama e que, apenas com o tempo esse ardor é apaziguado e esquecido, mas deixando sempre lá a marca de dor..
Gostava de saber o porquê da minha existência, já passaram alguns anos desde a minha aparição e até hoje, ainda não consegui entender o que faço neste mundo. Olho e vejo o mundo a girar, os dias a sucederem-se uns a seguir aos outros, eu a envelhecer e comigo a solidão. Sinto-me como um simples pedaço de calcário que apenas está a formar-se para viver a vida sempre no mesmo sítio, nunca pertencendo a nenhuma construção ou obra, apenas ganhando musgo e servindo de acento para muitos..
Gostava de ser diferente, gostava de pudesse existir pequenas, mas drásticas modificações no meu ser, deixando os medos serem repartidos pela sociedade e que apenas ficasse com os bocadinhos bons que ainda conseguem prevalecer dentro de mim. Sei que pareço egoísta e que apenas preocupo-me apenas comigo mas, durante 18 anos apenas preocupei-me com aqueles que me rodeiam, deixando-me moldar na escultura em que apresento-me hoje. Escultura não em pedra mas sim de areia, que a qualquer momento dissipa-se no ar…..
sinto-me:...
 
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